A Polícia Federal (PF) está investigando a morte de nove pessoas encontradas em um barco à deriva no litoral do Pará, em abril do ano passado. A principal linha de investigação aponta que as vítimas eram migrantes africanos, possivelmente originários de Mali e Mauritânia. Documentos e objetos encontrados junto aos corpos reforçam essa hipótese, e a PF planeja enviar uma equipe para esses países africanos a fim de coletar material genético de familiares das vítimas, o que pode ajudar na identificação dos mortos.
O trabalho pericial visa não apenas identificar as vítimas, mas também determinar a causa da morte e o tempo estimado de falecimento, seguindo protocolos internacionais de identificação de vítimas de desastres da Interpol. A operação de identificação conta com a colaboração de peritos do Instituto Nacional de Criminalística, que já enviaram equipes para o local. Inicialmente, a investigação indicava um número maior de vítimas, mas o total final foi confirmado em nove mortos, sendo oito dentro do barco e um fora, em circunstâncias que sugerem que todos faziam parte do mesmo grupo.
O barco foi encontrado por pescadores em Bragança, no nordeste do Pará, a cerca de 215 quilômetros de Belém, em estado avançado de decomposição. A investigação sugere que o barco, que havia ficado à deriva por três meses, tinha como destino a Europa, mas acabou sendo desviado para o Brasil. Apesar de a data da viagem da equipe da PF ainda não ter sido definida devido a questões burocráticas, a expectativa é de que as diligências em Mali e Mauritânia ocorram nas próximas semanas.