O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino afirmou não haver razões para seu impedimento no julgamento do caso envolvendo a tentativa de golpe de Estado em 2022. A declaração foi uma resposta ao pedido da defesa do ex-presidente, que argumentou que Dino estaria impedido devido a uma ação judicial movida contra Bolsonaro em 2020, quando ainda era governador. Dino ressaltou que já participou de várias decisões relacionadas ao ex-presidente e que não há presunção automática de parcialidade sem comprovação de interesse pessoal.
Além de Dino, a defesa também solicitou o afastamento do ministro Cristiano Zanin, sob a justificativa de que ele advogou em processos ligados a Bolsonaro antes de assumir o STF. Assim como Dino, Zanin rejeitou a alegação e afirmou estar apto a julgar o caso. A decisão final sobre os pedidos de impedimento caberá ao presidente do STF, Luís Roberto Barroso, que ainda analisa a questão. O tribunal tem histórico de não afastar ministros que não reconhecem impedimentos próprios.
Dino criticou a estratégia da defesa de tentar definir quais ministros devem participar do julgamento, chamando a ação de “arguição de algibeira”. Ele reforçou que sua atuação no STF se baseia exclusivamente nas provas dos autos. O caso segue em análise, e a expectativa é que o tribunal mantenha sua tradição de garantir que seus integrantes decidam sobre sua própria imparcialidade.