Na coletiva de imprensa de 30 de janeiro, o presidente Lula apresentou uma nova postura de comunicação, adotando um estilo mais descontraído e sem a possibilidade de questionamentos diretos. Em seu discurso, ele defendeu o modelo econômico que tem contribuído para o aumento da inflação e das taxas de juros, ignorando críticas sobre os erros cometidos, especialmente no que diz respeito à expansão fiscal da PEC da Transição. Ao mesmo tempo, o presidente indicou que sua candidatura à reeleição está praticamente confirmada, apesar de ter sugerido o contrário anteriormente.
Embora a entrevista tenha sido uma tentativa de gerar pautas próprias para o governo, a falta de novidades concretas evidenciou uma ausência de projetos claros para o país. A crítica de opositores sobre a repetição de programas antigos de governos passados ecoa nas preocupações da população. O slogan de “União e Reconstrução”, embora eficaz em períodos eleitorais, perde força à medida que o governo avança sem apresentar soluções consistentes para os problemas econômicos atuais, como a inflação persistente e a alta dos juros.
A perspectiva de 2026 preocupa, já que a inflação, estimada em 4,83% para 2024, pode continuar subindo, levando a uma taxa de juros real alta, como em 2021. A postura do governo em não admitir a relação entre suas políticas fiscais e a crise inflacionária pode agravar ainda mais a situação econômica. A proposta de isenção de Imposto de Renda para rendas até R$ 5 mil é vista como positiva, mas a falta de um plano claro para compensar essa renúncia fiscal levanta dúvidas sobre a viabilidade da medida. Para evitar distorções econômicas, seria necessário um reconhecimento mais honesto das causas da inflação e a formulação de soluções mais consistentes.