Em uma cúpula sem precedentes entre os blocos da África Oriental e Austral, líderes de oito países, incluindo Quênia e Ruanda, abordaram a crise no leste da República Democrática do Congo (RDC). A reunião teve como foco a intensificação do conflito no país, especialmente após os rebeldes do M23 capturarem a cidade de Goma, provocando uma escalada militar. Durante o evento, os líderes solicitaram conversas diretas entre as partes envolvidas, inclusive com os rebeldes apoiados por Ruanda, e defenderam a importância do diálogo em vez de soluções militares.
O presidente do Quênia, William Ruto, enfatizou que a violência não deveria ser vista como uma solução viável para o conflito. Ao mesmo tempo, a RDC se recusou a negociar diretamente com os rebeldes, resultando em um impasse nas conversações. As divergências entre os países do leste e do sul da África complicaram ainda mais a situação, com Ruanda negando seu envolvimento no apoio aos rebeldes, enquanto os países do sul mantêm sua posição de apoio à soberania da RDC.
O conflito, que já causou milhares de mortes e deslocamentos forçados, também gerou uma grave crise humanitária, com a expansão do controle rebelde sobre minas valiosas, como as de coltan, ouro e estanho. As condições nos hospitais da região estão sobrecarregadas, e as organizações humanitárias tentam mitigar os efeitos do desastre, enquanto o Tribunal Penal Internacional observa atentamente os relatos de crimes de guerra, incluindo abuso sexual. Além disso, os líderes africanos pediram o envio de forças de paz e o fortalecimento dos processos de paz existentes, com a proposta de envolver facilitadores adicionais de outras partes do continente.