As taxas dos DIs apresentaram alta significativa no dia 26 de fevereiro, refletindo um conjunto de fatores internos e externos. A forte geração de empregos no Brasil, com a criação de 137.303 vagas formais em janeiro, superando as expectativas do mercado, foi um dos principais impulsionadores dessa elevação. Além disso, a valorização do dólar e as incertezas em relação à reforma ministerial no governo federal também contribuíram para a pressão nas taxas de juros. A expectativa é de que o Banco Central possa ser levado a aumentar a taxa Selic em março, diante da combinação de inflação alta e incertezas fiscais.
No cenário internacional, o dia foi marcado por uma acomodação dos rendimentos dos Treasuries, que oscilavam levemente entre altas e baixas. No entanto, o mercado de juros brasileiros destoou, com a curva de juros refletindo uma maior probabilidade de aumento da Selic. Investidores estavam atentos às articulações políticas em Brasília, especialmente à possível expansão das despesas fiscais, após a demissão de ministros e a movimentação política do governo federal. A expectativa é de que mudanças no ministério possam influenciar o equilíbrio fiscal do país e a confiança do mercado.
Esse cenário gerou um aumento no risco fiscal, com o mercado precificando uma possível alta de 125 pontos-base na Selic em março, uma probabilidade que subiu de 2% para 13% nos últimos dias. A divulgação de novas medidas fiscais, como o saque do saldo remanescente do FGTS para trabalhadores demitidos, também gerou especulações sobre os impactos fiscais de curto prazo. Esse contexto incerto, somado ao fortalecimento do dólar e ao aquecimento do mercado de trabalho, criou um ambiente de maior aversão ao risco e pressão nas taxas de juros no Brasil.