O Itaú BBA destacou os principais pontos de uma reunião com Jean Van de Walle, CIO da Sycamore Capital, que discutiu o cenário atual para ações globais e a situação dos mercados emergentes, com foco na América Latina. Van de Walle observa que a região negocia com múltiplos baixos, mas necessita de catalisadores para gerar retornos. Ele vê um potencial positivo para o Chile, prevendo uma possível mudança no ciclo macroeconômico, e considera as avaliações do Brasil atrativas, embora note a baixa visibilidade de um impulso para a valorização no curto prazo. Para a Argentina, ele reconhece o potencial no setor de shale oil, mas alerta sobre uma possível valorização excessiva da moeda. O México, por sua vez, enfrenta um cenário mais desafiador, com maior sensibilidade às políticas dos Estados Unidos.
No cenário global, Van de Walle descreve o mercado de ações como volátil, dentro de uma faixa de negociação, com múltiplos de avaliação elevados em comparação à média histórica. Isso indica que os retornos futuros podem ser baixos, de acordo com a métrica CAPE. Quanto ao dólar, ele acredita que as políticas fiscais e tarifas têm impulsionado sua força no curto prazo, mas prevê um enfraquecimento da moeda no médio prazo, o que poderia beneficiar os mercados emergentes. O cenário para as ações dos EUA é de sobreavaliação, embora a dinâmica de fluxos financeiros ainda favoreça o mercado acionário americano em relação ao mercado de títulos.
Van de Walle também sugere uma possível rotação dentro do mercado acionário, com uma migração de investimentos das ações das grandes empresas para setores como as Small Caps e ações de valor. Essa mudança pode refletir uma busca por alternativas com maior potencial de retorno, dado o atual panorama de sobreavaliação nas grandes empresas. A análise aponta para uma perspectiva cautelosa, mas com alguns pontos de otimismo, especialmente em relação ao Chile e ao Brasil, dependendo das mudanças macroeconômicas e políticas regionais.