A indústria química brasileira fechou o ano de 2024 com um déficit de US$ 48,7 bilhões, sendo o segundo pior resultado da série histórica, atrás apenas de 2022, quando o déficit foi de US$ 63 bilhões. O principal fator desse déficit foi a alta das importações, que somaram US$ 63,9 bilhões, especialmente de produtos químicos provenientes dos Estados Unidos e da Ásia. Por outro lado, as exportações brasileiras de produtos químicos totalizaram US$ 15,2 bilhões, apresentando um aumento de 4,3% em comparação ao ano anterior.
Em termos de volume, as importações aumentaram 11,5%, chegando a 65,3 milhões de toneladas. A maior parte dessa quantidade refere-se a fertilizantes, com 41,1 milhões de toneladas importadas, representando um crescimento de 7,4%. Houve também aumentos nas importações de outros produtos químicos, como resinas, elastômeros, substâncias orgânicas e inorgânicas. A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) ressaltou que muitas dessas importações poderiam ser produzidas no Brasil, caso houvesse políticas públicas que incentivassem uma maior oferta de gás a preços competitivos.
O presidente-executivo da Abiquim, André Passos Cordeiro, destacou a importância de ampliar os incentivos governamentais para o setor, especialmente no contexto da transição para uma economia de baixo carbono. Ele enfatizou que a indústria química brasileira está pronta para liderar esse movimento, com o uso de tecnologias que busquem reduzir ou neutralizar a emissão de gases de efeito estufa. O cenário atual exige ações mais robustas para promover uma transformação no setor químico, com foco na sustentabilidade e no desenvolvimento de novas soluções industriais.