O mais recente romance de Han Kang, “We Do Not Part”, marca o retorno da autora após a conquista do Prêmio Nobel de Literatura e segue uma linha de narrativa complexa, misturando elementos de realismo mágico com uma reflexão sobre a história e a memória. A obra é caracterizada por uma estrutura não linear e por uma escrita densa, que mistura conversas e diálogos sobre conversas passadas. Esses elementos evocam um sentido de nostalgia e trauma, enquanto a autora examina eventos históricos marcantes, como a violência pré-guerra, ao mesmo tempo em que mantém uma atmosfera surreal e introspectiva.
Antes deste trabalho, Han já havia se destacado com romances como “The Vegetarian”, que exploram o controle masculino sobre os corpos femininos, e “Human Acts”, que retrata o massacre de estudantes em Gwangju, na Coreia do Sul. Em sua obra anterior, “The White Book”, a autora refletia sobre a morte de sua irmã enquanto conectava suas memórias a eventos de guerra em Varsóvia. No entanto, com “We Do Not Part”, Han parece avançar para uma abordagem ainda mais abstrata e fragmentada, com a narrativa desafiando o leitor a fazer conexões mais sutis entre os temas e a estrutura do romance.
A autora continua a explorar a dor e o sofrimento humanos com uma profundidade que transita entre o palpável e o etéreo, mantendo sua capacidade de criar uma imersão nas questões psicológicas e emocionais que afetam suas personagens. “We Do Not Part” combina os temas recorrentes da obra de Han, como a perda e o luto, com uma busca por formas alternativas de expressar e entender a realidade, resultando em um romance que é tanto introspectivo quanto desconcertante.