Um cirurgião francês, condenado por abuso sexual de centenas de pacientes, será julgado por crimes cometidos ao longo de sua carreira. Entre 1989 e 2014, o médico realizou procedimentos em diversas vítimas, principalmente crianças, enquanto estavam sob anestesia geral. Apesar de uma condenação anterior por posse de pornografia infantil em 2005, o profissional continuou exercendo a medicina sem ser investigado, mesmo com alertas de colegas e autoridades.
Em 2006, um psiquiatra que trabalhava com o médico denunciou seu histórico criminal e alertou as autoridades sobre seu comportamento suspeito. No entanto, a investigação foi ineficaz, e o cirurgião manteve sua posição no hospital, recebendo apoio de superiores. Mesmo com as suspeitas e as evidências que surgiram ao longo dos anos, o sistema de saúde não tomou medidas adequadas para impedir o exercício da profissão, permitindo que ele continuasse a trabalhar em contato com crianças.
Após sua aposentadoria em 2017, as alegações de abuso se intensificaram e revelaram o padrão de crimes cometidos ao longo de sua carreira. Investigações subsequentes indicaram que falhas sistêmicas na gestão dos casos, tanto em hospitais quanto em instituições de regulamentação médica, contribuíram para o prolongamento dos abusos. O caso é considerado um exemplo de fracasso coletivo, onde a omissão de diversos responsáveis facilitou o abuso de menores.