Um relatório divulgado pelo Centro Interdisciplinar de Ciências do Sistema da Terra, da Universidade de Maryland, revelou que 2024 foi o ano com a temperatura média global mais alta desde o período pré-industrial, superando em 1,6°C os níveis climáticos anteriores. Além disso, a média global de precipitação também atingiu um recorde, com 2,9 mm de chuva por dia, representando um aumento de 0,09 mm em relação ao período de 1983 a 2023. Os dados foram obtidos a partir de um levantamento preliminar do Global Precipitation Climatology Project, ativo desde 1979.
O estudo identificou um padrão de precipitação acima da média em diversas regiões do planeta, especialmente no sul da Ásia e na Austrália, que enfrentaram um aumento significativo de chuvas. Ao focar apenas nas porções de terra, os pesquisadores observaram um incremento de 0,1 mm de precipitação por dia. No entanto, a América do Sul, particularmente a Amazônia, enfrentou uma seca prolongada durante o ano. A análise detalha que regiões como o oceano Índico, o sul da Ásia, o oeste do Pacífico e a Austrália foram as mais afetadas por umidade acima do normal.
As secas e chuvas extremas de 2024 foram atribuídas tanto ao fenômeno climático El Niño, que ocorreu entre junho de 2023 e junho de 2024, quanto ao aquecimento global. O estudo também aponta para uma transição do padrão de precipitação de El Niño para La Niña fraca ao longo do ano, com o índice médio de temperatura da superfície do mar indicando uma leve tendência para El Niño. Essa mudança influenciou os padrões climáticos e resultou em um mapa de anomalias de precipitação, com áreas de maior e menor umidade espalhadas de forma irregular.