Um estudo publicado na revista *Nature Medicine* revelou que uma em cada 20 mulheres no mundo será diagnosticada com câncer de mama ao longo da vida, e uma em cada 70 morrerá da doença. Se as taxas atuais persistirem, até 2050 haverá 3,2 milhões de novos casos e 1,1 milhão de mortes anuais, com um aumento desproporcional em países de baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). A pesquisa, baseada em dados da Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer (IARC) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), destaca a importância de políticas de prevenção, detecção precoce e tratamento eficaz para conter o avanço da doença.
Os dados mostram que a maioria dos casos e mortes ocorre em mulheres com 50 anos ou mais, mas na África quase metade dos diagnósticos (47%) afeta pessoas com menos de 50 anos, uma proporção muito maior do que em regiões como América do Norte e Europa. Além disso, enquanto países com IDH alto apresentam as maiores taxas de incidência da doença, os países de IDH baixo registram índices significativamente mais altos de mortalidade. A desigualdade no acesso a exames, diagnóstico e tratamento é apontada como uma das principais razões para essa disparidade, com países de IDH elevado registrando 17 mortes a cada 100 diagnósticos, enquanto nos de IDH baixo esse número sobe para 56.
Nos últimos dez anos, as taxas de incidência do câncer de mama aumentaram entre 1% e 5% ao ano em 27 dos 50 países analisados, especialmente nos de IDH muito alto. Por outro lado, a mortalidade caiu em 29 dos 46 países com IDH muito alto, mas ainda cresce em nações de menor desenvolvimento, evidenciando desigualdades no combate à doença. Os especialistas reforçam a necessidade de investimentos em registros oncológicos de qualidade e na ampliação do acesso a tratamentos eficazes para reduzir as mortes e garantir que o progresso no enfrentamento do câncer de mama seja globalmente equitativo.