A Organização Mundial de Saúde estima que existam cerca de 4 milhões de pessoas superdotadas no Brasil, mas a identificação precisa desses indivíduos ainda é um grande desafio. Crianças e adolescentes com altas habilidades muitas vezes enfrentam dificuldades no ambiente escolar, pois sua forma de aprender e processar informações pode ser diferente da maioria, o que pode gerar desinteresse por atividades repetitivas ou até mesmo comportamentos de dispersão. Isso pode levar ao diagnóstico equivocado de transtornos como TDAH ou transtorno do espectro autista (TEA), complicando a assistência adequada.
O impacto da falta de identificação precoce pode ser significativo, causando frustração e, em casos mais graves, desenvolvimento de problemas emocionais como depressão. O caso de Matheus Carvalho, que enfrentou crises de pânico e teve diagnósticos errôneos durante a adolescência, exemplifica a importância de uma abordagem mais assertiva e personalizada para o diagnóstico e tratamento de superdotação. A família tem um papel fundamental nesse processo, oferecendo suporte emocional e encorajando a adaptação do jovem ao sistema educacional.
Programas especializados, como o Núcleo de Atividades de Altas Habilidades e Superdotação (NAAHS) em São Luís (MA), são essenciais para oferecer o acompanhamento necessário a esses indivíduos. No entanto, a subnotificação de casos no Brasil ainda é alta, com muitos casos não sendo identificados no sistema de ensino. Especialistas apontam que a superdotação é frequentemente confundida com outros transtornos, e um processo de diagnóstico aprofundado, que considere o histórico de vida da pessoa, é crucial para evitar erros e oferecer o suporte adequado.