O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis recebeu recentemente o Prêmio da Amizade do governo chinês, uma das mais altas honrarias concedidas a estrangeiros. Durante sua estadia na China, ele discutiu com autoridades locais sobre suas pesquisas e a importância da interface cérebro-máquina, campo no qual o país investe pesadamente. Nicolelis destacou os avanços do projeto Andar de Novo, que tem mostrado resultados positivos, como a recuperação de pacientes com paralisia total, um tema de grande interesse para a China. Ele também mencionou o impacto de tecnologias emergentes, como a inteligência artificial DeepSeek, que representa uma inovação disruptiva no mercado global.
A DeepSeek, comparada ao ChatGPT, promete reduzir os custos de infraestrutura e desafiar as grandes empresas tecnológicas dos Estados Unidos. O modelo chinês de IA, utilizando chips mais antigos e até mesmo componentes nacionais, quebrou o paradigma das grandes corporações americanas, trazendo uma nova abordagem para a indústria. Nicolelis observou que a reação do mercado foi imediata, com perdas significativas nas bolsas de valores, o que demonstra o impacto dessa tecnologia. Essa inovação é parte de um movimento mais amplo da China para buscar parcerias internacionais, especialmente com o Brasil, que possui uma rede de universidades e centros de pesquisa de destaque.
O neurocientista brasileiro também ressaltou a importância de fortalecer a colaboração entre Brasil e China no setor de ciência e tecnologia. Para que isso aconteça, ele defende maior investimento em infraestrutura e no potencial das universidades brasileiras, que desempenham um papel fundamental na evolução científica do país. Nicolelis afirmou que, devido a uma crescente falta de abertura por parte dos Estados Unidos e Europa, a China está mais inclinada a estabelecer parcerias com países como o Brasil, visto como um aliado estratégico na área de pesquisa e desenvolvimento.