Dois brasileiros foram mantidos reféns por uma máfia de golpes cibernéticos em Mianmar por três meses, sendo forçados a aplicar fraudes em pessoas ao redor do mundo, incluindo brasileiros. Durante o cativeiro, eles enfrentaram torturas físicas, como espancamentos e eletrochoques, caso não cumprissem as ordens dos criminosos. As vítimas, que pertencem a uma rede de tráfico humano, foram resgatadas com a ajuda de uma ONG e conseguiram escapar junto com outras 85 pessoas de diferentes nacionalidades. A fuga foi auxiliada pelo Exército Democrático Budista dos Karen, uma organização local armada.
Após a fuga, os dois brasileiros foram levados a um local seguro e, mais tarde, transferidos para a Tailândia, onde puderam se abrigar na embaixada brasileira em Bangkok. A ONG responsável pelo resgate também deu apoio jurídico às famílias, ajudando-as a formalizar pedidos de repatriação das vítimas junto à Defensoria Pública da União. Segundo relatos, o resgate foi uma operação difícil, mas que trouxe alívio para as famílias das vítimas, que aguardam a chegada dos dois homens ao Brasil.
A história começou em agosto de 2023, quando um dos brasileiros recebeu uma proposta de trabalho na Tailândia através de uma oferta no Telegram. Ao chegar ao destino, a vítima foi enganada e transportada para Mianmar, onde foi forçada a se envolver em atividades criminosas. Durante o período em que ficou sequestrado, ele enviou mensagens para seus familiares relatando os abusos sofridos, incluindo agressões físicas e psicológicas. As vítimas finalmente conseguiram escapar e, após meses de sofrimento, estão prestes a retornar ao Brasil.