O Brasil obteve sua pior colocação em 12 anos no ranking de percepção de corrupção da Transparência Internacional, ocupando o 107º lugar entre 180 países com apenas 34 pontos de 100 possíveis. O resultado reflete um aumento na percepção de corrupção entre os cidadãos brasileiros, evidenciado por um declínio de dois pontos e três posições em relação a 2023. Países como Dinamarca, Finlândia e Singapura mantiveram-se na liderança do ranking, refletindo uma percepção significativamente menor de corrupção nessas nações.
O relatório da Transparência Internacional apontou diversas questões que impactaram negativamente a avaliação do Brasil, como a falta de ações contundentes do governo em relação ao combate à corrupção e a ausência de transparência em programas como o Novo PAC. A organização também destacou a crescente ingerência política em estatais como a Petrobras e a persistência de práticas corruptas em órgãos públicos, como o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, envolvendo desvios de emendas parlamentares. A crítica ao governo inclui a negativa a pedidos de acesso à informação, o que agrava ainda mais a percepção de falta de transparência.
A Controladoria-Geral da União, por sua vez, argumentou que o combate à corrupção pode impactar negativamente a percepção do país no ranking, uma vez que a exposição de casos e investigações gera uma percepção de corrupção maior. A CGU também destacou avanços, como melhorias no Portal da Transparência e o lançamento de um plano de combate à corrupção para os próximos anos. No entanto, a presença crescente do crime organizado nas instituições públicas e a captura do Estado são apontadas como ameaças ao processo democrático no Brasil.