Mayotte, uma ilha localizada no Oceano Índico, entre Moçambique e Madagascar, foi severamente afetada por um ciclone devastador em dezembro, colocando em evidência a negligência enfrentada pela região. Embora parte integral da França e da União Europeia, Mayotte tem sido historicamente marginalizada em termos de infraestrutura e apoio governamental. Este ciclone, uma ocorrência rara para a Europa, causou danos extensivos, expondo a fragilidade da região e a falta de preparação para desastres naturais de grande escala.
O território de Mayotte, que se tornou um departamento francês em 2011, faz parte do legado colonial da França, o que possibilitou sua inclusão no espaço europeu. No entanto, a resposta da França à calamidade gerada pela tempestade levantou questões sobre o nível de atenção e recursos destinados à ilha, que muitas vezes é esquecida pelos centros de poder metropolitano. Esse cenário de desamparo contrastou com o apoio de outros territórios mais visíveis e politicamente estratégicos.
Este evento sublinha a desigualdade entre as regiões periféricas da França e as áreas mais centrais, revelando as dificuldades de Mayotte em obter o reconhecimento e os recursos necessários. Além disso, a crise gerada pela tempestade expôs falhas nas políticas de prevenção e resiliência a desastres naturais, refletindo a vulnerabilidade das populações que, embora sejam parte da União Europeia, enfrentam condições de vida significativamente mais difíceis do que a maioria dos cidadãos europeus.