O Carnaval brasileiro, marcado por cores vibrantes e tradições regionais, como o frevo e as fantasias de sambistas, tem se tornado cada vez mais dependente de produtos importados, especialmente da China. A principal origem desses itens são feiras como a de Cantão e a cidade de Yiwu, que abastecem comerciantes de todo o mundo. Em 2024, a China foi responsável por 95% do volume de itens de festas importados para o Brasil, um recorde da última década. Empresários brasileiros que tradicionalmente compravam produtos nacionais agora se veem competindo com a produção chinesa, cujos preços, mesmo com custos de transporte elevados, continuam imbatíveis.
Na região da 25 de março, em São Paulo, e no Saara, no Rio de Janeiro, a presença de produtos chineses é marcante. Muitos comerciantes, como Pierre Sfeir, viajam anualmente para a China em busca de novos itens de festa para abastecer suas lojas. No entanto, não é apenas o preço que atrai os brasileiros; a China possui uma infraestrutura industrial altamente eficiente que permite a produção em larga escala, com custo de produção muito inferior ao praticado no Brasil. Assim, a oferta de itens como sombrinhas de frevo, perucas e fantasias de Carnaval se concentra cada vez mais no mercado asiático.
Esse crescimento nas importações chinesas tem pressionado a produção nacional, especialmente no setor de fantasias e adereços de Carnaval. Mesmo com fábricas brasileiras como a Studio das Festas, que mantém uma produção local de itens como saias de tule e máscaras, a concorrência com os preços baixos e a escala das fábricas chinesas dificulta a competitividade. Embora o Brasil ainda tenha nichos de produção, como as máscaras artesanais de Pernambuco e itens personalizados, a dependência de produtos importados para o Carnaval parece ser uma tendência crescente, refletindo a globalização do mercado de festas e o impacto da desindustrialização no país.