Donald Trump deixou claro que a política externa dos Estados Unidos sob sua liderança será marcada por uma postura mais assertiva e voltada para os interesses americanos. Ele defendeu o uso da força militar para proteger esses interesses e expressou a intenção de reverter decisões como a concessão do controle do Canal do Panamá à China, reafirmando a prioridade de manter a soberania e segurança dos EUA. Ao mesmo tempo, Trump sugeriu que os aliados americanos, especialmente na Europa, precisariam investir mais em defesa e não contar com a intervenção dos EUA para garantir sua segurança.
A visão de Trump sobre a ordem internacional também indica uma mudança significativa. O presidente não pretende mais exercer o papel de “xerife do mundo” e se mostra cético em relação à eficácia de organismos multilaterais, como o G7, a ONU e o FMI. Em vez disso, ele defende que as negociações bilaterais entre países sejam a principal ferramenta de interação diplomática, o que pode reduzir o poder dessas instituições globais. Essa abordagem, segundo analistas, sinaliza o fim da ordem geopolítica estabelecida após a Segunda Guerra Mundial.
Diante dessa reorientação, países como a China já estão se posicionando para preencher o vácuo deixado pelos EUA. Em 2024, a China aumentou seus investimentos no exterior, com destaque para países em desenvolvimento, e parece pronta para expandir sua influência enquanto Washington se retira de alguns cenários globais. Este movimento reflete as mudanças nas prioridades de Trump, que busca reindustrializar os EUA e proteger sua economia interna por meio de barreiras comerciais e políticas de isolamento econômico.