A questão da sexualidade humana no espaço ganhou destaque após o retorno sem tripulação de uma nave da Boeing, deixando astronautas na Estação Espacial Internacional e gerando especulações irreverentes nas redes sociais. Apesar do desconforto causado por essas discussões, elas trazem à tona um tema sensível e pouco abordado pelas agências espaciais: as implicações sexológicas de missões de longa duração no espaço. Pesquisadores propõem uma nova disciplina, a sexologia espacial, que visa estudar as interações íntimas e a sexualidade em ambientes extraterrestres sob três dimensões fundamentais: biológica, psicológica e social.
As agências espaciais, como NASA, ESA e Roscosmos, historicamente tratam o tema com discrição, alegando possíveis impactos negativos na dinâmica de equipe e riscos de conflitos interpessoais. Até o momento, os estudos limitaram-se aos efeitos da radiação e microgravidade em animais, ignorando as necessidades humanas. Para especialistas, reconhecer e integrar as questões de intimidade e sexualidade nas missões espaciais pode contribuir para a saúde mental dos astronautas, além de promover o bem-estar em futuros assentamentos espaciais.
O artigo, liderado por Simon Dubé, enfatiza que a sexualidade transcende a reprodução, englobando aspectos emocionais e psicológicos essenciais para a sobrevivência e prosperidade humanas fora da Terra. A abordagem proposta busca não apenas enfrentar tabus, mas também contribuir para o combate a problemas como sexismo e discriminação nas ciências e forças armadas. Os cientistas sugerem que a exploração espacial seja encarada de forma mais holística, reconhecendo o papel vital das relações humanas em uma civilização interplanetária.