O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil sinalizou que a taxa básica de juros (Selic) será elevada para 13,25% na reunião de 29 de janeiro de 2025, como parte de um ciclo de aumentos que deve continuar até março. O foco agora está na quantidade de ajustes necessários para controlar a inflação, com projeções que indicam a Selic podendo chegar a 15% até o final do ano, mas com possibilidades que variam de acordo com o cenário econômico interno e externo. A grande incerteza, no entanto, gira em torno da eficácia dessas medidas para trazer a inflação de volta à meta de 3%, ou, no limite, ao teto de 4,5%.
As expectativas de inflação para os próximos anos estão em alta, com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2025 já projetado em 5,5%, acima da estimativa anterior de 4,96%. Apesar disso, o Banco Central não deve sinalizar ações específicas além de março, mantendo as possibilidades de aumento ou manutenção de juros em aberto. O cenário de instabilidade econômica, tanto no Brasil quanto no exterior, tem feito os economistas reverem suas projeções, com alguns alertando sobre os riscos de uma “dominância fiscal”, onde a política fiscal do governo poderia ter mais impacto sobre a inflação do que as medidas monetárias adotadas pelo Copom.
O Banco Central se vê em um cenário desafiador, onde a política monetária restritiva busca controlar a inflação, mas a falta de um ajuste fiscal claro e eficaz continua a gerar incertezas. A trajetória fiscal do governo será crucial para a evolução das taxas de juros e da inflação, já que o descontrole fiscal pode aumentar ainda mais a pressão sobre as expectativas de preços. A maior preocupação é que, mesmo com juros elevados, não há garantias de que a inflação será suficientemente contida para alcançar a meta estipulada, o que aumenta a complexidade do cenário econômico para os próximos anos.