O Brasil retomou sua característica de país predominantemente de classe média em 2024, com 50,1% da população agora pertencendo às classes A, B ou C. A classe C, representando 31% da população, destaca-se como um importante motor da economia, abarcando famílias com renda mensal entre R$ 3.400 e R$ 8.100. Este cenário marca a primeira vez desde 2015 que a maioria dos brasileiros se encontra em estratos econômicos médios ou superiores, sinalizando uma recuperação econômica gradual e relevante.
O crescimento da renda proveniente do trabalho, que aumentou 7,5% no último ano, foi o principal fator por trás dessa recuperação. A classe C teve o maior aumento de renda, com 9,5%, superando as classes A e B, enquanto as classes D e E apresentaram um crescimento mais tímido, de apenas 1,6%. Apesar disso, desafios como inflação persistente em determinados setores e os efeitos das plataformas de apostas eletrônicas sobre o orçamento familiar ainda dificultam uma percepção mais ampla de melhoria econômica.
Embora o cenário atual sinalize um fortalecimento da classe média e um avanço na inclusão econômica, ele está longe do auge registrado entre 2009 e 2011. Medidas como políticas de incentivo ao consumo interno e o aumento do salário mínimo indicam um caminho promissor, mas a tradução desses ganhos econômicos em melhorias perceptíveis na qualidade de vida da população continua sendo um desafio para o governo e para o país como um todo.