Nos últimos anos, a valorização do peso argentino em relação ao dólar trouxe mudanças significativas para o país, especialmente no turismo e nos preços dos produtos. Estimativas apontam que a moeda local se valorizou 40% entre 2023 e 2024, mas esse aumento não se refletiu diretamente no poder aquisitivo da população. O custo de vida na Argentina, especialmente em dólares, subiu, o que tem gerado uma percepção de que o país ficou mais caro para estrangeiros. Produtos como café e alimentos básicos, além de importados como copos térmicos, tiveram aumento de preços expressivos, refletindo uma inflação em dólares superior a 70% no último ano.
Embora o fortalecimento do peso tenha sido uma estratégia do presidente Javier Milei para combater a inflação, com medidas como a “âncora inflacionária”, os efeitos dessa política são controversos. A inflação local, que alcançou 211% em 2023, foi reduzida significativamente em 2024, mas o preço de produtos e serviços, especialmente os que envolvem importação, aumentou. Além disso, a indústria nacional e o setor agrícola enfrentam dificuldades devido à desvalorização de outras moedas latino-americanas e à maior concorrência com produtos importados, o que tem gerado preocupações sobre possíveis efeitos negativos no emprego e na produção local.
A valorização do peso argentino, embora tenha sido vista como uma conquista para a economia, tem gerado desafios, especialmente para o turismo e para a competitividade da indústria. A redução do número de turistas internacionais, juntamente com a migração de argentinos em busca de melhores condições financeiras no exterior, é um reflexo das dificuldades econômicas vividas pela população. O governo de Milei, por sua vez, mantém a perspectiva de que o fortalecimento do peso é fundamental para garantir o controle da inflação, mas as consequências para o mercado interno e para os setores produtivos ainda são incertas.