Durante o período de defeso na Paraíba, que vai de dezembro até 28 de fevereiro, pescadores têm denunciado a prática de pesca irregular no Açude Epitácio Pessoa, conhecido como Açude de Boqueirão. A principal reclamação é a falta de fiscalização, o que tem facilitado a captura de peixes durante a piracema, um momento crucial para a reprodução das espécies. Os pescadores locais destacam que a presença de mais água nos reservatórios durante a piracema atrai os peixes para as margens, o que torna mais fácil a prática ilegal da pesca.
O presidente da Colônia de Pescadores de Boqueirão, junto a outros membros da comunidade, também tem cobrado mais fiscalização para evitar a pesca predatória, que prejudica tanto o ecossistema aquático quanto a própria atividade pesqueira local. Apesar das queixas, o Ibama afirmou que já planeja ações de fiscalização em parceria com o DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas) para monitorar o Açude de Boqueirão, que é uma das principais áreas prioritárias no estado durante o período da piracema. A pesca durante esse período é considerada crime, com punições que incluem multas e reclusão.
A piracema é um fenômeno natural onde peixes de água doce sobem os rios para desovar, o que torna esse período fundamental para a proteção das espécies nativas. Durante esses três meses, a pesca é proibida para preservar o equilíbrio do ecossistema, embora algumas exceções permitam a captura de espécies exóticas com técnicas específicas. A bióloga Yasmin Lustosa ressaltou os impactos ambientais da pesca irregular, que pode causar desequilíbrios ecológicos, afetando a qualidade da água e prejudicando a cadeia alimentar aquática.