Na última semana, a construção de um muro na Cracolândia, área central de São Paulo, levou a Prefeitura da cidade a ser alvo de questionamentos no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Alexandre de Moraes determinou que o prefeito explicasse em 24 horas as motivações para a obra, que gerou críticas de parlamentares, especialmente do PSOL. A ação alega que o muro representa uma política de segregação e violação dos direitos fundamentais, com implicações diretas sobre a dignidade das pessoas em situação de rua. A construção, de 40 metros e custo estimado em R$ 96 mil, foi justificada pela Prefeitura como uma substituição de tapumes antigos, com o objetivo de melhorar a segurança e evitar riscos de acidentes.
Críticos, incluindo o movimento Craco Resiste, apontaram que o muro representa uma forma de confinamento e violação dos direitos humanos. Segundo a ONG, operações policiais no local têm levado a abusos, como o uso de spray de pimenta e prisões indevidas de pessoas que não se mantêm dentro do espaço delimitado pela estrutura. Em resposta, a Prefeitura argumenta que a obra foi uma medida de melhoria do local, reduzindo os riscos causados pelos antigos tapumes de metal e ampliando o acesso ao espaço público. O prefeito também refutou as alegações de confinamento, afirmando que a obra não restringe a circulação de pessoas na área.
Em meio a essas divergências, o STF segue analisando a situação dentro de um contexto mais amplo sobre as políticas públicas para pessoas em situação de rua no país. A Prefeitura, por sua vez, destaca resultados positivos em termos de encaminhamentos para serviços públicos, com redução do fluxo de pessoas na área e avanços em programas sociais voltados para a reintegração dessas pessoas à sociedade. A questão do muro, no entanto, segue sendo um ponto de tensão política e jurídica, refletindo o desafio de conciliar políticas de segurança pública com o respeito aos direitos humanos.