O mercado financeiro reagiu de forma volátil após o Federal Reserve (Fed) manter inalterada a taxa dos Fed funds, sem mencionar avanços significativos na inflação ou no mercado de trabalho, como nas reuniões anteriores. A comunicação mais neutra causou uma pressão inicial sobre os juros futuros, mas o presidente do Fed, Jerome Powell, conseguiu suavizar a mensagem durante a coletiva de imprensa, aliviando a pressão na curva dos Treasuries e na curva doméstica. Contudo, esse alívio foi parcialmente revertido com declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre a possibilidade de estabelecer um teto para os juros do crédito consignado para trabalhadores do setor privado, o que gerou preocupação no mercado.
A taxa de depósito interfinanceiro (DI) para 2026, por exemplo, teve leve alta, passando de 15,146% para 15,180%, refletindo a reação do mercado à incerteza gerada pelas declarações do governo. A decisão do Fed de manter a taxa dos Fed funds na faixa de 4,25% a 4,50% foi amplamente esperada, mas o fato de não ter sido mencionada a evolução positiva da inflação causou desconforto, embora Powell tenha tentado esclarecer a ausência desse trecho como uma forma de simplificar a comunicação. As expectativas do mercado também estão voltadas para a decisão de política monetária do Brasil, onde se espera uma alta de 1 ponto percentual na Selic.
Além disso, o mercado está atento a outros indicadores econômicos, como a confiança da indústria, que registrou queda em 24 dos 29 setores em janeiro, refletindo um cenário de desaceleração econômica. O movimento do governo em relação ao crédito consignado privado, que pode crescer significativamente, contraria a política do Banco Central de controle da inflação, gerando incertezas sobre os efeitos no mercado de crédito e na demanda agregada. A relação entre essas ações e as estratégias do Copom está no centro das discussões econômicas, já que a redução da atividade é vista como necessária para controlar as pressões inflacionárias.