O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vive uma crise interna desde outubro de 2024, após denúncias anônimas sobre a existência de consultorias privadas irregulares envolvendo servidores. A gestão do IBGE intensificou a apuração de possíveis ilícitos, que inclui um possível desvio de recursos para a consultoria SCIENCE, envolvida em um projeto de pesquisa ambiental e de mudança climática. A presidência do IBGE indicou que documentos sugerem o repasse de US$ 50 mil ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com a previsão de transferência de US$ 660 mil para a pesquisa, questionando a legalidade de tais movimentações.
Em paralelo, o ambiente dentro do instituto se deteriorou, resultando em um movimento de entrega de cargos por parte de diretores e adjuntos que discordaram da gestão atual. Recentemente, ocorreram mudanças na Diretoria de Geociências e na Diretoria de Pesquisas, com a exoneração de líderes nomeados anteriormente pelo atual presidente, em um cenário de crescente tensão entre a administração e os funcionários.
O IBGE também enfrenta desafios em relação à Fundação IBGE+, criada para implementar projetos privados do instituto, que está em processo de estruturação. Após novas exonerações de servidores aposentados, surgiram divergências sobre a condução dos trabalhos da fundação, especialmente no que diz respeito à sua política de inovação e à aprovação final do Tribunal de Contas da União (TCU). A crise reflete uma profunda insatisfação interna que coloca em xeque o futuro da gestão e a confiança nas lideranças do IBGE.