O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, concedeu uma entrevista nesta terça-feira (7) à News, na qual comentou sobre sua relação com o novo presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, e a atuação da instituição em meio à política de juros elevados. Haddad ressaltou que, apesar de eventuais discordâncias sobre diagnósticos e soluções, o papel do Ministério da Fazenda será sempre o de contribuir tecnicamente para a resolução dos problemas econômicos. Ele afirmou ter confiança de que Galípolo compreende a missão do BC e desempenhará sua função de maneira independente.
Haddad também fez questão de reforçar a autonomia do Banco Central, destacando que a decisão final sobre as políticas monetárias é tomada por um colegiado de nove membros, e não será alterada com a nomeação de Galípolo. Segundo o ministro, o novo presidente tem um amplo conjunto de informações para tomar decisões, e sua atuação será guiada por um processo técnico, em que ele consulta não só o mercado financeiro, mas também o governo e o setor produtivo. Em sua visão, a independência do BC é crucial para a credibilidade e estabilidade da política econômica.
Por fim, o ministro observou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao fazer o convite para Galípolo assumir a presidência do Banco Central, deixou claro seu respeito pela autonomia da instituição, seguindo o mesmo padrão de deferência que teve com o ex-ministro Henrique Meirelles. Embora Haddad possa questionar a adequação de algumas decisões, ele reforçou que a responsabilidade final cabe ao BC e ao colegiado do Copom, com o qual o governo manterá um diálogo contínuo para subsidiar as decisões monetárias.