O governo federal tem enfrentado dificuldades para lidar com a alta dos preços, especialmente no setor alimentício, segundo economistas e especialistas. A falta de um diagnóstico preciso tem levado a medidas inadequadas para controlar a inflação, como o controle de preços, o que agrava ainda mais as distorções econômicas. A expansão dos gastos públicos tem gerado pressões inflacionárias, alimentando o temor dos agentes econômicos e contribuindo para a alta dos preços, tanto de maneira direta quanto indireta, com a depreciação do câmbio e a desancoragem das expectativas do mercado.
Especialistas como Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, destacam que, em vez de recorrer a medidas temporárias como o controle de preços, seria mais eficaz o governo sinalizar um controle mais rigoroso das contas públicas. A atual estratégia fiscal está alimentando a inflação e gerando incertezas, o que prejudica ainda mais a confiança no mercado. Cristiano Noronha, cientista político, também aponta que o prolongamento dessa situação pode afetar negativamente a imagem do governo, principalmente entre os eleitores mais pobres, que são diretamente impactados pelos preços mais altos dos alimentos.
Com a política monetária restritiva e altas taxas de juros para conter a inflação, o Brasil pode enfrentar uma retração econômica nos próximos meses. Isso pode complicar ainda mais a relação do governo com os eleitores, principalmente em um cenário de eleições futuras, como as de 2026. O governo se vê diante de uma difícil situação, em que suas tentativas de controlar a inflação podem não ser suficientes e podem, na verdade, agravar a crise econômica.