A expectativa de um dólar fortalecido em 2025 é alimentada pelas sinalizações dadas por Donald Trump e sua equipe, que indicam um aumento das tarifas comerciais, especialmente sobre produtos importados da China. O fortalecimento da moeda americana também pode ser impulsionado pela revisão da política comercial dos Estados Unidos, que deve ser formalizada nas próximas semanas. A proposta de tarifar outros países, como México e Canadá, e a possível imposição de tarifas a todos os produtos importados, visam ajustar o comércio global à visão do presidente de que os EUA são prejudicados por práticas comerciais desleais.
Além disso, as tarifas podem gerar efeitos em cadeia que impactam a inflação e, consequentemente, a política monetária dos Estados Unidos. O aumento das tarifas tende a elevar os preços dos produtos, o que provocaria uma inflação mais alta. O Federal Reserve (FED) poderia, então, elevar juros para controlar os preços, tornando os títulos americanos mais atraentes para investidores. Esse movimento poderia causar uma saída de capitais de mercados emergentes, como o Brasil, para os Estados Unidos, o que reforçaria ainda mais o valor do dólar.
Apesar de as tarifas poderem não afetar diretamente o Brasil, devido à falta de um acordo de livre comércio entre os dois países, o Brasil se encontra em uma posição vulnerável. Especialistas alertam que o país pode ser impactado caso Trump decida ampliar as tarifas sobre produtos de outros membros do BRICS. A cotação do dólar também será influenciada por outros fatores, como a política econômica interna brasileira, que no último ano contribuiu para a desvalorização do real, levando à saída recorde de dólares do país.