O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, apresentaram posições distintas sobre a possível influência ideológica nas decisões dos agentes de mercado no Brasil. Durante uma coletiva de imprensa sobre o resultado primário, Ceron afirmou que acredita na postura pragmática dos mercados e que qualquer desconfiança do mercado pode ser resolvida com uma comunicação mais eficaz por parte do governo. Ele reforçou que o aspecto ideológico não interfere na eficiência dos negócios e precificação.
Por outro lado, Haddad, em entrevista à RedeTV!, argumentou que o mercado tem sido mais crítico ao atual governo em comparação com gestões anteriores, que apresentaram déficits semelhantes ou maiores, sem enfrentar o mesmo nível de críticas. O ministro sugeriu que as análises do mercado podem ter um componente ideológico, mencionando que reportagens apontam a alta taxa de erro nas projeções do mercado. Para ele, a situação política atual pode estar influenciando negativamente a percepção dos investidores, apesar de esforços do governo para conter gastos.
Ambos destacaram a importância da comunicação do governo, com Ceron enfatizando que é papel do governo esclarecer as informações de forma adequada, enquanto Haddad indicou que a abordagem ideológica pode estar distorcendo as análises. A divergência entre os dois representantes do governo reflete a tensão entre as visões políticas e econômicas em um cenário de desafios fiscais e alta expectativa sobre a gestão do governo atual.