Um estudo realizado na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revelou que a crioablação, uma técnica minimamente invasiva, alcançou 100% de eficácia no tratamento de câncer de mama em casos de tumores menores que 2 centímetros. O procedimento utiliza temperaturas extremamente baixas para congelar e destruir células cancerígenas. Durante a pesquisa inicial, a crioablação foi aplicada após a cirurgia, envolvendo 60 pacientes. Agora, a técnica está sendo comparada com a cirurgia tradicional em um estudo com mais de 700 pacientes.
Em janeiro, a técnica foi realizada pela primeira vez em um hospital público brasileiro, o Hospital São Paulo, sendo também o primeiro protocolo de pesquisa na América Latina a usar a crioablação no tratamento de câncer de mama. O processo, realizado sob anestesia local, consiste na aplicação de nitrogênio líquido a -140ºC para destruir o tumor, por meio de ciclos alternados de congelamento e descongelamento, e é indolor e de rápida execução. A abordagem oferece uma incisão mínima, comparável à de uma biópsia.
Embora já tenha sido aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a crioablação ainda não está disponível no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Em outros países como Israel, Estados Unidos, Japão e Itália, a técnica já é amplamente utilizada. O procedimento, de custo elevado devido às agulhas utilizadas, pode ser acessível no futuro com a redução dos preços, trazendo a possibilidade de uma expansão no Sistema Único de Saúde (SUS), o que ajudaria a reduzir as filas de pacientes.