O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG) decidiu cancelar o registro de um geólogo envolvido no processo que investiga o rompimento da barragem da mineradora Vale, ocorrido em Brumadinho (MG) em 2019. A tragédia, que completou seis anos em janeiro de 2025, causou a morte de 272 pessoas e gerou grandes impactos ambientais e socioeconômicos. O geólogo foi responsabilizado por assinar um laudo de estabilidade da estrutura da barragem, apesar de a avaliação indicar um fator de segurança abaixo do recomendado por normas internacionais.
A decisão do Crea-MG foi baseada na Lei Federal 5.194/1966, que prevê punição por má conduta pública e escândalos profissionais. O geólogo afirmou em depoimento que confiou nas avaliações de especialistas da empresa alemã Tüv Süd, responsável pelo laudo, e reconheceu que a barragem de Brumadinho foi a única que ele trabalhou com um fator de segurança de 1.09, um valor considerado abaixo do mínimo aceitável. O caso está em andamento no processo criminal, onde ele é um dos réus, junto com outros profissionais da Vale e da Tüv Süd.
Além do processo criminal, o geólogo enfrenta outras repercussões em diferentes esferas, como a punição da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em casos relacionados a falhas de segurança. A tragédia de Brumadinho segue em destaque nas discussões sobre a responsabilidade das empresas em garantir a segurança de barragens e prevenir acidentes. O caso já passou por reviravoltas judiciais e continua sendo investigado, com as partes envolvidas aguardando as próximas etapas processuais.