Um estudo preliminar apresentado na Conferência Internacional de AVC 2025, da American Stroke Association, destaca que crianças que sofrem um acidente vascular cerebral (AVC) entre 8 e 9 anos têm maior probabilidade de desenvolver ansiedade, depressão e sintomas somáticos, como dores de cabeça e estômago. Pesquisadores analisaram 161 crianças que sofreram AVC isquêmico entre 2002 e 2020 e observaram que, além das complicações físicas, esses jovens sobreviventes enfrentam desafios psicológicos mais intensos do que a população geral. A investigação revelou que 13% dos casos envolvem depressão, 13,7% ansiedade e 17,4% somatização.
O estudo também identificou que as pontuações para humor, ansiedade e somatização eram significativamente mais altas entre as crianças que haviam sofrido o AVC. Esse padrão foi particularmente prevalente em crianças mais novas, com destaque para aquelas que tinham menos de 2 anos quando o AVC ocorreu. De acordo com os pesquisadores, esses dados indicam que os transtornos mentais podem ser tão desafiadores quanto os efeitos físicos do AVC, com os sintomas psicológicos muitas vezes não sendo reconhecidos de forma adequada, dificultando intervenções precoces.
Apesar das limitações do estudo, como a utilização apenas de questionários e a pesquisa realizada em um único centro, os resultados chamam atenção para a necessidade de monitoramento psicológico constante em sobreviventes de AVC infantil. Especialistas sugerem que os profissionais de saúde devem rastrear ativamente os transtornos de saúde mental, principalmente em crianças com mais de 2 anos, e estar atentos às formas sutis de ansiedade. O objetivo é proporcionar uma melhor qualidade de vida e apoio psicológico para essas crianças, visando resultados mais positivos no futuro.