A indicação de Fernanda Torres ao Oscar de Melhor Atriz por sua atuação em “Ainda Estou Aqui” gerou discussões sobre o impacto de performances mais sutis e contidas no cinema. A atriz foi elogiada por sua capacidade de transmitir emoções profundas sem recorrer a grandes explosões dramáticas, algo que, segundo alguns críticos, poderia dificultar sua aceitação na Academia. Sua personagem, Eunice Paiva, é marcada pela contenção de sentimentos, algo que traz tensão e complexidade à trama, mas que, por vezes, é considerado excessivamente monocórdico por parte da crítica.
A escolha de Fernanda Torres de não deixar transparecer o colapso emocional de sua personagem é um exemplo de atuação sutil que, apesar de não ser frequentemente premiada, já foi reconhecida em outros momentos no cinema. A própria atriz citou a filosofia de sua mãe, Fernanda Montenegro, sobre a ausência de espaço para o melodrama durante tragédias, algo que ressoa diretamente em sua interpretação. O filme, que também foi indicado a Melhor Filme e Melhor Filme Internacional, optou por não incluir cenas de choro, o que reflete a busca pela honestidade e pela verdadeira explosão emocional contida.
A atuação sutil, como a de Fernanda Torres, não costuma ser a preferida da Academia, mas exemplos passados de prêmios indicam que atuações internalizadas podem, sim, ser reconhecidas. A história de atrizes como Holly Hunter, Jodie Foster e Frances McDormand, que conquistaram Oscars por performances contidas e profundamente emocionais, ilustra que a sutileza pode ser uma chave para a excelência na atuação. Essas premiações, muitas vezes, ocorrem em papéis onde a força da personagem não está em grandes gestos, mas na profundidade emocional que é sentida de forma silenciosa.