O relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT) sobre os conflitos no campo no primeiro semestre de 2024 revela uma diminuição no número de ocorrências em comparação com o mesmo período de 2023. Foram registradas 1.056 ocorrências, contra 1.127 no ano anterior. Essa redução se reflete tanto nos conflitos por terra quanto nos casos de trabalho análogo à escravidão, que também diminuíram significativamente. No entanto, a CPT alerta que, apesar dessa queda, os índices de violência continuam altos e a situação permanece preocupante, especialmente em relação à disputa por recursos naturais e ao uso de agrotóxicos.
Além das disputas pela terra, houve um aumento nas ocorrências de conflitos relacionados à água, com 125 casos registrados, o que marca o quinto pior resultado desde 2015. A violência contra a pessoa também apresentou uma redução, com 417 vítimas no primeiro semestre de 2024, contra 840 no ano passado. Contudo, a CPT aponta que os impactos da crise climática e dos incêndios, embora não oficialmente contabilizados como violência, afetam fortemente as comunidades camponesas, quilombolas e indígenas, que também são vítimas de criminalização e ameaças de morte.
A análise da CPT sobre os responsáveis pelos conflitos destaca o papel predominante de fazendeiros e empresários, além de indicar o envolvimento do governo em algumas situações de violação de direitos. No caso dos conflitos por água, os povos indígenas são as principais vítimas, enfrentando empresas e grandes projetos de infraestrutura como os maiores causadores das disputas. A CPT também observa o aumento de violações relacionadas à contaminação por agrotóxicos e à destruição ambiental. Apesar dos avanços na redução dos casos, a realidade no campo continua a exigir medidas eficazes para resolver as disputas e proteger as populações afetadas.