Um tribunal da Romênia anulou o primeiro turno das eleições presidenciais de 2024 após alegações de interferência russa nas campanhas eleitorais. A decisão do Tribunal Constitucional, tomada na sexta-feira (6), ocorreu após a divulgação de documentos de inteligência, que sugerem que a Rússia teria realizado uma campanha online coordenada para apoiar um candidato de extrema direita. O presidente romeno, Klaus Iohannis, divulgou as informações de inteligência que indicam a utilização de plataformas como TikTok e Telegram para promover esse candidato. A decisão judicial, que é final, resultou em um novo adiamento da eleição, com uma nova data a ser marcada para a repetição da primeira rodada.
O candidato de extrema direita, que emergiu inesperadamente como favorito no primeiro turno, é Calin Georgescu, um outsider que declarou não ter gastos de campanha. Ele se preparava para disputar o segundo turno contra Elena Lasconi, uma reformista do partido União Salve a Romênia. Lasconi, porém, criticou fortemente a decisão do tribunal, argumentando que ela era ilegal e antidemocrática, e que a vontade do povo romeno deveria ser respeitada, já que milhões de eleitores haviam se manifestado em favor de um candidato. Ela também afirmou ter confiança de que venceria no segundo turno, considerando que os eleitores romenos apoiam suas propostas.
A anulação do primeiro turno gerou controvérsias e levantou preocupações sobre a capacidade das instituições romenas em lidar com interferências externas em processos eleitorais. Especialistas políticos alertaram para a gravidade da situação, destacando que a Romênia, um país estratégico no contexto europeu e internacional, enfrenta desafios em proteger a integridade de suas eleições. O cenário também levanta questões sobre a eficácia das medidas de segurança cibernética e a necessidade de aprimorar a supervisão das campanhas eleitorais diante da crescente ameaça de interferência externa.