O conceito de transtornos mentais ligados à cultura desafia a visão de que problemas psiquiátricos são universais, mostrando como diferentes sociedades interpretam e vivenciam a angústia de maneiras únicas. Exemplos como o koro, uma síndrome comum no Sudeste Asiático, em que homens acreditam que seus pênis estão encolhendo, ou o hwa-byung, na Coreia do Sul, que resulta da repressão de raiva, demonstram que certos distúrbios mentais estão profundamente enraizados nas normas e crenças culturais locais. Esses transtornos não são apenas peculiares, mas podem ter sérias consequências físicas e emocionais, como suicídio, dor crônica e isolamento social.
Por outro lado, transtornos como a neurastenia, popularizada no século 19 no Ocidente, passaram por uma transformação ao ser diagnosticada em culturas do Sudeste Asiático, onde ainda é mais prevalente que a depressão. A mudança de percepção sobre a natureza da saúde mental ao longo do tempo e de diferentes locais evidencia como os diagnósticos e tratamentos podem ser profundamente influenciados pelo contexto social e histórico. A migração de conceitos e práticas psiquiátricas, como a crescente globalização das doenças mentais ocidentais, traz à tona preocupações sobre a homogeneização do diagnóstico e a perda de abordagens culturais específicas.
Além disso, cientistas e psicólogos argumentam que os transtornos mentais não apenas são interpretados de formas diferentes em diversas culturas, mas também podem ter manifestações físicas variáveis. No Ocidente, é comum que a angústia se traduza em sintomas emocionais, como tristeza ou ansiedade, enquanto em outras regiões, como a Ásia e a África, essa angústia pode se expressar principalmente como dor física. O reconhecimento dessas diferenças é crucial para evitar diagnósticos imprecisos e para o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes, respeitando as crenças e tradições culturais de cada paciente.