A Coreia do Sul, com sua história de transições políticas tumultuadas, passou por um momento de grande tensão em dezembro de 2024, quando o presidente Yoon Suk Yeol decretou a lei marcial, alegando infiltração de forças pró-norte-coreanas no parlamento. A medida, que visava suspender atividades políticas e impor restrições severas às manifestações populares, gerou uma onda de protestos nas ruas de Seul, com cidadãos e políticos se opondo veementemente ao decreto. A ação foi rapidamente barrada pelo legislativo, que, com uma votação expressiva, invalidou o decreto presidencial, forçando Yoon a retirar a medida horas depois.
Esse episódio desencadeou uma crise política interna, com a oposição exigindo o impeachment do presidente, caso ele não renunciasse. As motivações para o decreto ainda são alvo de especulação, com teorias que sugerem uma combinação de fatores internos, como a aprovação do orçamento e alegações de corrupção, além de pressões externas relacionadas às crescentes tensões com a Coreia do Norte e sua postura em relação à Guerra da Ucrânia. A situação gerou um ambiente de incerteza, com o país refletindo sobre os possíveis impactos de um retrocesso democrático em um momento delicado da sua história recente.
A Coreia do Sul, que viveu sob uma ditadura militar até a década de 1980, alcançou sua democratização com a adoção de uma constituição e a realização de eleições livres. O sistema político atual é caracterizado por um forte multipartidarismo, com uma alternância de poder entre partidos conservadores e liberais. O recente episódio, que quase resultou em um golpe militar, provocou uma reflexão sobre os avanços democráticos do país e o risco de um retrocesso em um contexto onde a democracia e os direitos civis são altamente valorizados.