O julgamento iniciado em 27 de novembro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) busca estabelecer as condições sob as quais as empresas de tecnologia podem ser responsabilizadas por danos causados por postagens de usuários, como discursos de ódio ou informações falsas. A discussão gira em torno da interpretação do artigo 19 do Marco Civil da Internet, que atualmente só responsabiliza as plataformas se elas não removerem conteúdos ilegais após uma ordem judicial. O STF analisa recursos que questionam essa regulamentação, especialmente em casos de perfis falsos e postagens ofensivas.
Os críticos do modelo atual argumentam que ele cria uma imunidade para as plataformas, permitindo que danos sejam perpetuados enquanto o processo judicial avança de forma lenta. A principal preocupação é a eficácia das plataformas na remoção de conteúdos prejudiciais, incluindo materiais que afetam crianças e adolescentes. Por outro lado, representantes das grandes empresas de tecnologia defendem que o modelo vigente permite uma autorregulação eficiente e que mudanças poderiam resultar em um excesso de judicialização, prejudicando a liberdade de expressão.
O julgamento possui repercussão geral, ou seja, a decisão do STF terá impacto direto sobre processos semelhantes em todo o Brasil. Espera-se que a Corte defina um novo marco jurídico sobre a responsabilidade das redes sociais, abordando questões de liberdade de expressão, direitos civis, proteção ao consumidor e até mesmo a livre iniciativa das empresas. A conclusão do julgamento está prevista para o final deste ano e pode alterar significativamente a forma como as plataformas operam no país.