Grupos rebeldes sírios, liderados pela aliança islamista Hayat Tahrir al-Sham (HTS), anunciaram neste sábado (7) que estão cercando Damasco, marcando um avanço significativo no conflito que já dura mais de uma década. A ofensiva, que teve início no final de setembro, levou à perda de áreas estratégicas por parte do governo sírio, incluindo as províncias de Daraa e Quneitra, além de cidades como Aleppo e Hama. No entanto, o governo de Bashar al-Assad refutou as alegações de perda de controle da capital, chamando as notícias de infundadas. O confronto recente resultou em 826 mortos, incluindo mais de 100 civis, e deslocou 370 mil pessoas, conforme dados de organizações internacionais.
No subúrbio de Damasco, manifestantes derrubaram uma estátua de Hafez al-Assad, em um ato simbólico contra o regime, enquanto as forças rebeldes buscam conquistar a população local, prometendo o fim do sectarismo e da tirania. As tensões também se refletem no cenário internacional, com a Rússia e o Irã, principais aliados do governo sírio, expressando preocupação com o avanço rebelde. A Rússia chamou o progresso dos rebeldes de inaceitável e aconselhou seus cidadãos a deixar o país, enquanto o Irã iniciou a retirada de seus militares e diplomatas. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos e a Jordânia emitiram alertas de segurança para seus cidadãos na região.
A situação humanitária na Síria continua a se deteriorar, com o apoio russo e iraniano enfraquecido por outros conflitos, como a guerra na Ucrânia. A ofensiva rebelde evidencia a fragilidade do regime de Assad, tornando ainda mais difícil encontrar uma solução pacífica para a guerra civil, que já causou mais de 500 mil mortes e dividiu o país em zonas de influência controladas por potências estrangeiras. Embora a situação em Damasco permaneça incerta, a pressão sobre o governo sírio aumenta, intensificando os desafios para a estabilidade e a paz no país.