O Queijo Minas Artesanal foi reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, em uma cerimônia realizada nesta quarta-feira (4) em Assunção, no Paraguai. A iguaria, que já era considerada Patrimônio Cultural do Brasil desde 2008, obteve esse reconhecimento internacional após uma candidatura apresentada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), com apoio da Associação Mineira de Produtores de Queijo Artesanal (Amiqueijo). A produção do queijo, que envolve um processo artesanal que remonta a mais de três séculos, é uma importante atividade econômica para a agricultura familiar em Minas Gerais.
A produção do Queijo Minas Artesanal é feita de maneira manual, sem uso de processos mecânicos, preservando os métodos tradicionais. O queijo é produzido com leite cru, sem qualquer alteração ou pasteurização, e passa por um processo meticuloso que pode durar até um mês. A qualidade do leite é essencial para a produção, e o “pingo”, uma fermentação natural que é exclusiva de cada propriedade, é um dos elementos que conferem identidade e sabor únicos ao produto. O queijo é maturado por 22 dias, após ser moldado, salgado e colocado para curar.
Esse reconhecimento internacional valoriza o trabalho de mais de nove mil produtores mineiros, que mantêm viva uma tradição transmitida por gerações. Para eles, o título é uma forma de reconhecer o esforço secular envolvido na produção do queijo e o significado cultural que ele tem para a região. O presidente do Iphan, Leandro Grass, destacou que o título reforça a importância da preservação desse saber tradicional e da identidade territorial associada à produção do Queijo Minas Artesanal. O título também simboliza a resistência e o orgulho de uma prática que tem sustentado muitas famílias no interior do estado de Minas Gerais.