O protecionismo norte-americano tende a se intensificar com a administração de Donald Trump, o que pode resultar em maior competição da China no mercado brasileiro de máquinas e equipamentos, segundo José Velloso, presidente da Abimaq. Ele destaca que as políticas restritivas dos Estados Unidos já impulsionaram a busca da China por novos mercados, com o Brasil se tornando um destino importante. Em 2024, a participação das importações chinesas no Brasil aumentou significativamente, representando 31% do total entre janeiro e outubro, com um crescimento de 5,2 pontos percentuais em relação ao ano anterior.
Velloso menciona que, com o fortalecimento do protecionismo nos EUA, a guerra comercial com a China se intensificou, forçando o país asiático a buscar alternativas de mercado, incluindo o Brasil. Ele cita a pressão de diversos setores, como o siderúrgico e o varejo têxtil, para aumentarem as tarifas de importação de produtos chineses, além da crescente competição da indústria automotiva com os veículos elétricos e híbridos fabricados na China. A expectativa é de que o desvio de comércio para o Brasil se agrave, especialmente se o protecionismo dos EUA se aprofundar.
Apesar das preocupações, Velloso acredita que as ações de Trump não serão tão drásticas como sugerido durante sua campanha presidencial. Ele ressalta que o protecionismo pode fortalecer ainda mais os laços comerciais entre os países em desenvolvimento e a China, o que beneficiaria economias como a brasileira. No entanto, ele também descarta a possibilidade de uma substituição do dólar por uma moeda comum do bloco dos Brics, argumentando que isso não seria viável no curto prazo devido à forte dependência do dólar no comércio global.