A depressão e a ansiedade atingem milhões de brasileiros, com cerca de 11,7 milhões de pessoas vivendo com depressão e 9,3% da população sofrendo de transtornos ansiosos. Esse cenário tem levado ao aumento do consumo de medicamentos, como antidepressivos e ansiolíticos, cujo uso cresceu 18,6% no Brasil entre 2022 e 2024. No entanto, poucos estudos se debruçam sobre os impactos ambientais desses compostos, especialmente no ecossistema aquático, como está sendo investigado pela pesquisadora Raquel Aparecida.
Raquel, que desenvolve uma linha de pesquisa em ecologia e toxicologia, foca nos efeitos dos medicamentos psicoativos em ecossistemas aquáticos. Ela aponta que, no Brasil, o descarte inadequado desses fármacos e a falta de sistemas de tratamento eficientes nas estações de tratamento de água tornam o país vulnerável à presença desses compostos nos ambientes naturais. Sua pesquisa busca entender como substâncias como antidepressivos e ansiolíticos afetam o comportamento de animais aquáticos, como peixes, e se esses efeitos poderiam alterar o equilíbrio ecológico desses ecossistemas.
Com o apoio de uma bolsa de pesquisa, Raquel pretende ampliar o entendimento sobre a presença desses medicamentos em microbacias e águas residuais no Brasil. A pesquisadora acredita que seu trabalho pode contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas que melhorem a gestão ambiental, promovendo a saúde ambiental, animal e humana. A pesquisa se insere no conceito de “saúde única”, que enfatiza a interdependência entre esses pilares e a importância de entender como a poluição química impacta toda a biodiversidade e a qualidade de vida.