Um estudo internacional, com significativa participação de pesquisadores brasileiros, revelou os mecanismos físico-químicos por trás da formação das chuvas na Amazônia, um processo essencial para o equilíbrio climático global. A pesquisa identificou como o isopreno, um gás liberado pela vegetação, é transportado para altitudes elevadas durante tempestades tropicais noturnas, onde interage com compostos atmosféricos e gera nanopartículas que atuam como núcleos de condensação de nuvens. Essas reações, aceleradas por descargas elétricas e radiação solar, resultam em altas concentrações de aerossóis que influenciam o ciclo hidrológico e o clima.
Até agora, os cientistas já haviam observado essas partículas, mas não compreendiam completamente o processo químico que as gerava. A descoberta refina o entendimento sobre como gases orgânicos como o isopreno conseguem atingir camadas superiores da atmosfera, contrariando a crença de que se degradariam rapidamente. Este novo conhecimento tem o potencial de melhorar modelos climáticos, especialmente no que diz respeito à previsão de chuvas e seus impactos no clima tropical e global.
A pesquisa, realizada no âmbito do experimento científico Cafe-Brazil, envolveu uma série de voos de alta altitude sobre a Amazônia entre 2022 e 2023. Durante os voos, foram coletados dados que possibilitaram a análise detalhada do transporte de gases e formação de partículas. O estudo alerta, ainda, para os riscos que o desmatamento e as mudanças climáticas representam para esses processos naturais, destacando como a destruição da floresta pode alterar a produção de nuvens e reduzir a precipitação, gerando um efeito negativo em cadeia no sistema climático.