O mutum-de-Alagoas (Pauxi mitu) é uma das aves mais ameaçadas de extinção do mundo, tendo desaparecido da natureza por décadas antes de ser reintroduzido na Mata Atlântica do Nordeste do Brasil. A espécie foi descrita pela primeira vez por Georg Marcgraf, naturalista da comitiva do príncipe Maurício de Nassau, em 1630. No entanto, devido à devastação da Mata Atlântica, especialmente com o avanço dos canaviais nos anos 1970, o mutum entrou em um processo de extinção, agravado pela perda de seu habitat natural.
A recuperação da espécie começou com o empresário Pedro Nardelli, que, após encontrar os últimos exemplares da ave, iniciou um esforço para reproduzi-los em cativeiro. A partir de um trabalho dedicado, ele conseguiu manter uma população de segurança, evitando que o mutum desaparecesse completamente. Com a colaboração de outros pesquisadores, como Roberto Azeredo, que aprimorou as técnicas de reprodução em cativeiro, o número de mutuns aumentou consideravelmente, criando uma base sólida para a reintrodução da espécie.
Hoje, o esforço pela recuperação do mutum-de-Alagoas segue com projetos que buscam garantir uma população sustentável na natureza. Três casais de mutuns já foram soltos novamente em seu habitat original, marcando um passo importante no processo de reintrodução. O projeto continua, com o objetivo de criar uma população saudável e estável da ave na Mata Atlântica, oferecendo um vislumbre de esperança para a preservação dessa espécie rara e histórica.