Na sexta-feira (6), grupos rebeldes avançaram em direção a Homs, a terceira maior cidade da Síria, em meio à intensificação do conflito que dura 13 anos. Extremistas do grupo Hayat Tahrir al-Sham, com origem na Al-Qaeda, conseguiram expulsar o exército sírio das cidades de Talbisa e Rastan, localizadas a cerca de 15 quilômetros de Homs. O avanço rápido dos rebeldes levou milhares de moradores da cidade a fugirem para o sul, região ainda controlada pelo governo de Bashar al-Assad. A guerra civil síria já causou a morte de 500 mil pessoas, sendo 200 mil civis.
O regime de Assad, que conseguiu manter o controle da Síria por mais de uma década, começa a perder cidades-chave em um curto espaço de tempo. A mudança na dinâmica do conflito está relacionada ao foco da Rússia, um dos principais aliados sírios, na guerra na Ucrânia, o que reduziu seu apoio militar ao governo sírio. A incapacidade da Rússia de atuar eficazmente em dois frentes ao mesmo tempo tem gerado reflexos no terreno sírio. Além disso, o Irã, outro aliado de Assad, também está envolvido em conflitos em outras regiões, como o Iémen e Israel, o que limita sua intervenção direta.
Em meio ao novo cenário, os ministros das Relações Exteriores da Turquia, Rússia e Irã se reunirão no sábado (7) para discutir a situação na Síria. Recentemente, a Rússia tentou conter o avanço rebelde com ataques aéreos e mísseis, destruindo infraestrutura como pontes e avenidas. Contudo, esses ataques não conseguiram reverter o ímpeto da ofensiva rebelde, o que levanta novos alertas sobre a estabilidade da região.