O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) tem intensificado suas ações de pressão contra o governo federal, realizando invasões em propriedades rurais em estados como Rio Grande do Sul, Pará e Mato Grosso do Sul. O movimento, que tem como principal pauta a reforma agrária, expressa descontentamento com a lentidão na implementação de políticas públicas voltadas à distribuição de terras. Recentemente, o MST ocupou fazendas no Rio Grande do Sul e no Pará, além de bloquear vias importantes e promover protestos em sedes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A insatisfação do movimento é reforçada pela falta de avanços concretos, apesar das promessas feitas durante a gestão de Lula.
Além das invasões, o MST também tem buscado diálogo com o Incra e o Ministério do Desenvolvimento Agrário, mas as respostas obtidas até o momento foram consideradas insatisfatórias. O movimento chegou a pedir a demissão do ministro responsável pela pasta, como uma forma de demonstrar sua frustração. As ações estão inseridas na campanha “Natal com Terra”, que visa pressionar o governo a tomar medidas mais eficazes para resolver as demandas históricas da reforma agrária. Embora o governo justifique as dificuldades com limitações orçamentárias e destaque que o programa de reforma agrária estava estagnado durante a gestão de Michel Temer, as críticas ao atual orçamento do Incra persistem.
A relação entre o governo e o MST tem se deteriorado desde o início do terceiro mandato de Lula, com o movimento intensificando suas ações de protesto. O orçamento destinado ao Incra em 2024 é de R$ 567 milhões, valor superior ao de 2023, mas ainda considerado insuficiente em comparação aos investimentos de administrações anteriores. Além disso, a crítica ao programa Minha Casa, Minha Vida também se tornou um ponto de discórdia, com o MST alegando que ele favorece a classe média em detrimento das necessidades dos sem-teto. Essas tensões refletem um cenário de crescente insatisfação com a gestão atual e a percepção de que as reformas necessárias ainda estão longe de ser implementadas.