A França enfrenta uma crescente crise política com a moção de censura que pode derrubar o primeiro-ministro Michel Barnier, nomeado apenas dois meses antes. O premiê é alvo de forte resistência devido a um plano de austeridade que inclui cortes de 40 bilhões de euros e um aumento de impostos de 20 bilhões de euros, visando equilibrar as contas públicas. O uso de um mecanismo constitucional para aprovar o orçamento sem votação parlamentar gerou críticas, especialmente entre os partidos da oposição, que argumentam que o governo não conseguiu negociar de forma satisfatória.
A moção de censura foi movida por parlamentares de esquerda e direita, que criticam a forma como Barnier conduziu o processo, considerando-o autoritário. Embora o primeiro-ministro tenha cedido em alguns pontos, como excluir o aumento de impostos na conta de luz, ele não conseguiu superar a divisão no Parlamento, o que levou à criação da moção. Caso a votação prevista para quarta-feira (4) seja favorável, Barnier se tornará o premiê com o mandato mais curto desde a Segunda Guerra Mundial.
A instabilidade política na França reflete um cenário de governabilidade fragilizada, após a dissolução do Parlamento por Emmanuel Macron e a falta de uma maioria absoluta nas últimas eleições. A crescente tensão no governo francês, que já afetou a confiança dos mercados financeiros, poderia ter repercussões em toda a zona do euro, agravando ainda mais os desafios econômicos enfrentados pela região, especialmente após o impacto da guerra na Ucrânia.