A 65ª Cúpula do Mercosul, realizada em Montevidéu, foi histórica não apenas pela assinatura do acordo comercial entre o bloco e a União Europeia, após mais de duas décadas de negociações, mas também pelas declarações do presidente argentino Javier Milei. Durante seu discurso, Milei criticou fortemente o Mercosul, chamando-o de “prisão” e apontando que o bloco tem sido um obstáculo para o desenvolvimento da Argentina. Segundo o presidente, a tarifa externa comum (TEC) imposta pelo Mercosul tem encarecido as importações e dificultado a competitividade das indústrias argentinas.
Milei sugeriu que os países do bloco deveriam ter mais liberdade para firmar acordos comerciais individuais com outras nações, sem comprometer o caráter do Mercosul. Sua posição foi apoiada pelo presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, que também defendeu maior flexibilidade para que o Uruguai possa negociar diretamente com países como a China. Ambos os líderes indicaram que a rigidez do Mercosul tem prejudicado as oportunidades de crescimento econômico de seus países, especialmente em um cenário global em que nações como Chile e Peru adotaram políticas comerciais mais abertas.
Embora o foco principal da cúpula tenha sido o avanço do acordo com a União Europeia, que criou uma das maiores áreas de livre comércio bilateral do mundo, as divergências internas entre os membros do Mercosul ficaram evidentes. A discussão sobre a flexibilidade no bloco expôs a dificuldade de conciliar os interesses de diferentes países, com alguns defendendo a abertura comercial e outros preocupados com a manutenção da unidade regional. O debate sobre o futuro do Mercosul reflete as tensões entre os membros, especialmente em um contexto econômico global cada vez mais competitivo.