Na noite de quinta-feira (5), entidades do movimento negro de São Paulo, em conjunto com a Frente Povo Sem Medo, realizaram uma manifestação cobrando a saída do secretário de Segurança Pública do Estado. O protesto teve início em frente ao Theatro Municipal e seguiu até a sede da Secretaria de Segurança Pública (SSP), no centro da cidade. O ato foi motivado por uma crescente série de denúncias de abusos de poder e homicídios cometidos por policiais, frequentemente registrados por câmeras. As falas dos manifestantes destacaram a violência policial contra a população negra e exigiram a responsabilização dos agentes envolvidos.
O movimento também cobrou mudanças estruturais na Polícia Militar, como a desmilitarização da corporação e o fim de abusos recorrentes. Para os participantes, a violência só poderá ser contida com uma reorganização da polícia e com a punição efetiva de policiais que cometem ilegalidades. A implementação de câmeras corporais em todos os policiais e um controle externo sobre as forças de segurança foram algumas das principais demandas. A possibilidade de uma Ouvidoria independente também foi mencionada, com a exigência de que ela tenha autonomia para investigar de maneira imparcial as ações da PM.
Em resposta às críticas, a SSP afirmou que não compactua com desvios de conduta e destacou a punição rigorosa de policiais que cometem abusos. A pasta também divulgou números sobre investigações recentes, como a demissão de mais de 280 policiais e o afastamento de outros 20. Embora o governador tenha reconhecido erros passados, principalmente em relação às câmeras corporais, e prometido ampliar seu uso, a divergência persiste sobre a forma como a polícia é organizada e a efetividade das medidas adotadas para garantir a segurança e os direitos humanos da população.